Olha só que interessante: na redação do Enem, você não precisa entregar um texto absolutamente perfeito para tirar a nota máxima na Competência 1, aquela que avalia seu domínio da língua portuguesa. As regras de correção são um pouco mais flexíveis do que a gente imagina.
É permitido ter até um problema na estrutura da frase e até dois errinhos de gramática sem perder nenhum dos 200 pontos nesse critério. Essa orientação é dada aos corretores, o que explica por que algumas redações nota mil podem ter um deslize aqui e outro ali na grafia, concordância ou na construção da frase e, mesmo assim, manter a pontuação máxima no português.
Isso mostra que o foco principal é a sua capacidade de se comunicar de forma clara e organizada, mesmo que um detalhe ou outro escape. É um alívio saber que não precisamos ser máquinas de escrever sem falhas!
O que a Competência 1 avalia na redação do Enem
A Competência 1 olha de perto como você usa a língua portuguesa formal. Aqui, os corretores observam a estrutura das frases, se a concordância está certinha, a regência, a pontuação, a ortografia, a acentuação e se você escolheu as palavras mais adequadas.
Para você tirar os 200 pontos nesse item, pode cometer, no máximo, um erro de estrutura da frase e até dois desvios gramaticais. Se passar de um erro na estrutura, a nota máxima já não rola. Já nos desvios gramaticais, a tolerância é um pouco maior, mas ainda limitada a dois.
O que são erros sintáticos
Os erros sintáticos têm a ver com a forma como você organiza as frases e constrói os períodos. São aquelas falhas que atrapalham a estrutura da oração e a ligação entre as ideias.
Entre os problemas que entram nessa categoria, estão o truncamento, que é quando a frase fica incompleta ou é interrompida de forma estranha. Tem também a justaposição, que acontece quando você coloca orações uma ao lado da outra sem conectá-las direito.
Outros exemplos são o excesso ou a falta de palavras, quando sobram ou faltam elementos que prejudicam a construção da frase, e a duplicação de elementos sintáticos, que é quando você repete a mesma coisa na estrutura da frase sem necessidade.
Um exemplo prático de redação do Enem mostra bem esse tipo de falha: “NO SÉCULO EM QUE VIVEMOS HOJE EM DIA A RELAÇÃO SOBRE A RELAÇÃO DESSAS DIFICULDADES DE HERANÇA HUMANA, A SOCIEDADE BRASILEIRA MUITOS JÁ NÃO SÃO A FAVOR…”. Percebe como as ideias não se encaixam e a construção da frase está confusa? Isso é um problema de estrutura sintática.
Quais falhas entram como desvios gramaticais
Os desvios gramaticais são aqueles errinhos que desobedecem as convenções da escrita e as regras da língua portuguesa. Nessa classificação, entram falhas em várias áreas da norma formal.
Alguns exemplos são a colocação pronominal (tipo “me diga” em vez de “diga-me”), a concordância verbal e nominal, a regência (como “assistir o filme” em vez de “assistir ao filme”), os tempos e modos verbais, a pontuação, a acentuação e a ortografia.
Também entra aqui a inadequação vocabular, que é quando você usa uma palavra que não combina com o contexto, ou expressões que não são apropriadas para a linguagem formal.
Um exemplo comum é a frase “isto não torna-se”, quando o certo seria “isto não se torna”. Outro caso é “Os jovens assistem os filmes pelo celular”, que deveria ser “Os jovens assistem aos filmes pelo celular”. Também aparecem como exemplo construções como “A omissão governamental provém a escassez de campanhas sociais”, quando o correto seria “provém da escassez”, ou “Junto a esta ação, terá a participação do Ministro dos Direitos Humanos”, em vez de “haverá a participação do ministro dos Direitos Humanos”.
Repetição do mesmo erro não aumenta a contagem
Aqui tem uma particularidade bem interessante na correção da redação do Enem: se você repetir o mesmo erro de ortografia ou gramática várias vezes, ele só será contado uma vez. Ou seja, se você escrever a mesma palavra errada em diferentes partes do texto, o corretor registra o problema apenas uma vez.
Isso vale, por exemplo, se você errar a grafia de uma palavra em vários parágrafos. Mas atenção: para os erros de estrutura sintática, a lógica é diferente. Se houver várias frases com problemas de construção, cada falha será contada separadamente.
Grafia de nomes próprios difíceis não tira pontos
Boas notícias para quem gosta de usar repertório cultural mais elaborado: erros na grafia de nomes próprios que são difíceis de escrever não geram desconto na nota. Isso vale para referências como Rousseau ou Nietzsche, que são nomes que aparecem bastante nas redações.
Então, você não perde pontos se errar a escrita desses nomes específicos ao citar autores, filósofos ou outras figuras conhecidas por grafias menos comuns. Informações importantes como estas, você encontra somente aqui no portal Cadúnico Brasil.
Citação com palavra trocada também tem regra específica
Outro ponto que as regras de correção preveem envolve as citações. Se você reproduzir um trecho de uma música ou livro entre aspas e trocar uma palavra da versão original, essa alteração não será considerada um desvio gramatical, desde que o sentido da frase seja mantido.
Por exemplo, a frase famosa “O essencial é invisível aos olhos”, de O Pequeno Príncipe. Se você escrever “O importante é invisível aos olhos”, essa pequena mudança não será contada como erro gramatical na avaliação.
Revisão continua importante antes de passar a limpo
Mesmo com essa margem de tolerância na Competência 1, revisar o seu texto continua sendo um passo fundamental para quem busca uma boa nota na redação do Enem. Quanto mais falhas você tiver, maior o risco de perder pontos.
A dica de ouro é reler a redação com bastante atenção antes de passar a limpo para a folha definitiva, prestando atenção na construção das frases, na concordância, na regência e na pontuação. É um cuidado que faz toda a diferença!